9.2.12

Um Anjo em julgamento

Não ouses julgar-me, pois não sabes quem sou.

Na seqüência dos meus instantes, eu mesmo descubro-me novo. Sempre perplexo com as descobertas que faço sobre mim, busco apenas melhor me entender, ciente de que é impossível saber totalmente quem sou. Louvo aos céus que assim seja. Não suportaria saber-me previsível diante de cada experiência. Como, portanto, ousas julgar-me? Tu, que também não sabes quem és? Como? Cuida, sim, da tua sagrada vida, pois o tempo é curto para viver o que necessitas. Faze dela o que melhor entenderes. Da minha vida e dos meus atos compete somente a mim saber o que deles fazer.
Amo o amor. Amo amar. Importo-me com a evolução dos meus semelhantes, porém, não sou responsável por ela. Não sou mestre de evolução. Sou apenas um incentivador. Cada um é responsável pela sua evolução e dela tem que dar conta. As razões pelas quais me importo com a evolução dizem respeito a minha forma de servir à Deus. Caminho com os que estão nesta estrada. Os que escolheram o caminho do desamor não posso mantê-los em meu mundo.
Terão que reencontrar sozinhos a estrada da evolução. Não trago, contudo, somente do que é belo. Também mostro o horror que dentro de nós habita, pois só pode haver cura daquilo que é descoberto. Nesse aspecto, não me refiro a ninguém especificamente. Busco comentários no intento de provocar reflexões. O principal alvo dessas reflexões são as minhas próprias limitações. Que outros também as façam. Será muito bom para si mesmo. Não acredito que possa melhorar ninguém. Não creio que pessoas tenham esse poder. Mas acredito que cada um possa se melhorar e se curar, pois em minha crença só existe a autocura.
Importo-me com a humanidade. Todos nós somos habitantes da mesma casa, o nosso planeta. A desarmonia causada pelas idiossincrasias de uns afetam a todos. Logo, temos o direito de lutar por mundo melhor e afastar as pedras do caminho, sejam elas situações, sejam criaturas ainda inconscientes da finalidade da sua existência e na falta de objetivos decidem ser entraves para os outros. Essas devem recomeçar seu percurso, sozinhas. Em minha proposta de evolução não sou megalômano. Sei que só nada conseguirei.
Sou consciente, porém, de que há pessoas com a mesma proposta e até mais preparadas que eu. Meu convite é de união. Estamos na época do coletivo, em que o grupo tornou-se mais importante que o individualismo. Muitos unidos com consciência, amor e desapego do ego poderão, sim, causar grandes mudanças.
Por isso, sempre estimulo a todos:
- Sigamos em frente!

Sergio Apollinário